História Guardada

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O imponente casarão na Rua do Sol, número 302, Centro de São Luis, guarda muito de uma época em que o Maranhão se destacava social, econômica e culturalmente, o século XIX. Em estilo neoclássico, foi construído pelo aristocrata rural e major Ignácio Gomes de Souza, que morava em Itapecuru, por isso ficou conhecido como Solar Gomes de Souza. Naquela época a Coroa Portuguesa determinava que famílias de posses que viviam no interior construíssem na Capital. Quem morou no local foi o filho, Joaquim Gomes de Souza, o Souzinha, que se destacou nacionalmente como matemático.

Pouco tempo depois o solar foi adquirido pela familia Colares Moreira, ligada à vida política da cidade, que durante quarenta anos viveu ali. Em 1918 o português Francisco Jorge, principal acionista da Companhia de Fiação de Tecidos do Rio Anil, compra o solar e o vende para o Governo do Estado em 1967. Aí surgiu o Museu Artístico e Histórico do Maranhão, que foi inaugurado dez anos depois, em 28 de julho de 1974, data do sesquincentenário da adesão do Maranhão à Independência do Brasil.

A edificação foi feita de forma que a luz e a ventilação naturais fossem aproveitadas em todos os compartimentos, salas de visita, de costura, de música, onde eram realizados os saraus, os quartos, biblioteca e a sala de jantar, hoje único mobiliário que realmente fazia parte da residência. Todos eles na parte superior, já que no térreo funcionavam a cozinha e área de serviço, com poço no centro(11 metros de profundidade), comum na época nas casas daquele porte.

Durante a visita preste atenção no teto espinha de peixe, que tinha o  objetivo de refrescar o ambiente, na disposição dos móveis e objetos. Há uma sala reservada para louças e cristais, como as inglesas (cor de rosa), chinesas (branca e detalhes pretos), as inconfundíveis portuguesas (azul e brancas) e francesas (brancas e floridas); em outra um enorme e trabalhado móvel de madeira nobre doado pelo presidente argentino Julio Roca. Além de toda a riqueza material e cultural que aquele conjunto guarda, duas pequenas raridades talvez são as que mais me despertaram uma sensação diferente: originais de O Mulato, de Aluísio Azevedo, e Malazarte, Graça Aranha; olhar para  aqueles livros fez sentir-me próxima dos autores e imaginá-los escrevendo cada página à luz de velas. Mas tem mais preciosidade guardada ali, sim, essa me parece guardada, esquecida e até desconhecida.

Na parte inferior, logo na entrada, ao lado direito, há um espaço que era utilizado como teatro, um teatro particular, onde Artur e Aloisio Azevedo teriam realizado alguns ensaios. O teatro chama-se Apolônia Pinto, famosa atriz que nasceu ali pertinho, em um camarim do teatro hoje de nome Artur Azevedo. Muito gratificante andar em cada compartimento e em cada um deles ver os detalhes que mostram um pouco da história da nossa cidade.

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Museu Histórico e Artistico do Maranhão. Aberto de terça a sexta, das 9h às 17h; sábados, 9h às 16h e domingos, 9h ao meio dia. Entrada: 5 reais.

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