AMADO E ODIADO

fidel

Amado e odiado mas, sem dúvida, uma das maiores personalidades do século XX, Fidel Castro morreu hoje em Cuba, aos noventa anos. Agora, o homem que esteve no poder durante quase meio século e foi o símbolo da resistência à maior potência mundial, é uma lenda.

Fidel chegou ao poder em 1959 após derrotar, ao lado de Che Guevara e um grupo de guerrilheiros, o governo de Fulgêncio Batista. Na época, Cuba vivia sob o domínio dos Estados Unidos e grande parte da população na miséria. A economia era dominada por empresários norte americanos e a ideia de uma sociedade igualitária propagada pelo grupo de Fidel conquistou o apoio popular. A partir daí iniciou-se o regime socialista e ditatorial, que estremeceu as relações do País com os Estados Unidos, e recebeu deste, na década de 1970, o maior bloqueio econômico já aplicado a uma nação.

Cuba ficou conhecida por investir em saúde, educação, alfabetizando quase cem por cento da população, e esportes, mas muitas ações do governo fizeram com que milhares de cubanos fugissem para os Estados Unidos, principalmente na década de 1980. Instituições religiosas foram perseguidas, jornais fechados, os sindicatos perderam o direito à greve, opositores foram presos, mortos ou exilados. Estima-se que cerca de cento e vinte mil pessoas tenham deixado o País e doze mil tenham morrido em consequência do impiedoso regime.

Em 2006 o líder se afastou provisoriamente devido a uma cirurgia no intestino, que o impossibilitou de voltar ao comando, mas continuou sendo conselheiro do irmão Raul Castro, que passou a governar desde então. Novos horizontes pareciam se abrir diante da possibilidade de reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, que cortaram relações diplomáticas em 1961, quando, em 2015, Raul Castro e Barack Obama se reuniram na Cúpula das Américas, na cidade do Panamá, em um histórico diálogo entre os dois países.

Tristeza e alegria marcaram este 26 de novembro; para muitos cubanos ele será sempre o líder, para os que vivem nos Estados Unidos e tiveram famílias separadas pelas mãos de ferro de Fidel, foi um dia para comemorar. Mas um sentimento é comum: que direção tomará agora Cuba, a ilha que parecia ser sempre de Fidel.

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