Reconhecimento

Nos meus bons tempos de frequentadora de arraiais juninos ele completava o brilho das noites festivas. Eu ficava na expectativa para ver Papete no palco cantando aquelas músicas que de certa forma me traziam lembranças da infância; sim, eu tinha seis anos quando o emblemático Bandeira de Aço foi lançado em 1978, e adorava escutar o repertório.

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Esse ano ele partiu, mas deixou um legado indiscutível para a cultura, como cantor, compositor, percussionista e pesquisador. Por isso, foi bem merecida a homenagem, mesmo in memoriam, com a entrega da maior comenda do Ministério da Cultura, a Ordem do Mérito Cultural – Gran cruz. A condecoração é oferecida anualmente desde 1995 às pessoas e instituições que contribuíram com a cultura brasileira.

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Giselle e a filha Vitória, viúva e filha, respectivamente, participaram da solenidade realizada no Palácio do Planalto, na última terça-feira, e receberam a honraria das mãos do ministro da Cultura, Marcelo Calero, ao lado do presidente da República Michel Temer e da primeira-dama Marcela Temer. O cantor e compositor maranhense Erasmo Dibell, amigo e parceiro de longas datas, acompanhou Giselle e Vitória nesse momento especial de celebração, na véspera em que Papete completaria 69 anos.

Além de ter fortalecido a música popular maranhense, Papete foi eleito três vezes um dos maiores percussionistas do mundo na década de 1980; trabalhou com grandes nomes do cenário nacional, como Chico Buarque, Almir Sater, Renato Teixeira, Miucha, Rita Lee, Martinho da Vila, Vinícius de Moraes, Toquinho (com quem se apresentou por mais de 20 países durante treze anos) e outros. A última obra foi o acervo iconográfico Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas, lançado em 2015, uma profunda pesquisa sobre as pessoas que fizeram a história dessa manifestação cultural, cujo objetivo era preservar a memória delas.

Certamente ele fará falta nas noites alegres e estreladas do mês de junho para quem, como eu, se acostumou a ouvir…

 ♪ ♫ ♩ ♫ “e lá vai meu boi no romper da aurora, moça linda chora, com saudade vai ficar… quando eu for embora no aeroplano, mas no fim do ano eu volto pra te encontrar”… ♪ ♫ ♩ ♫

Valeu, Papete!

4 respostas para “Reconhecimento”

  1. Silvia Duailibe disse:

    um texto perfeito sobre nosso genial Papete!
    Parabéns para Ana Cristina!
    Parabéns para Giselle e Vitória!
    Agora Papete é uma estrela que jamais se apagará!
    Nossos arraiais não serão mais o mesmo!
    Saudades eternas!

  2. Rosa Amorim disse:

    Merecidamente, a homenagem póstuma é muito significativa, e em seu texto ela sublimou-se.

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