30 DE JANEIRO, DIA NACIONAL DA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

Mesmo antes de aprender a ler eu já pedia para meus pais as revistinhas da Turma da Mônica, pois o colorido, os personagens e a forma como as histórias iam desenrolando, em quadrinhos, despertavam meu interesse; acho que é assim que acontece com a maioria das crianças. O gosto e o hábito da leitura começam aí, daí a importância de os pais lerem para seus filhos para que estes, já alfabetizados, possam ter sempre uma boa história a seu alcance, missão difícil para os dias atuais, quando vemos os bebês totalmente encantados pelos tabletes e afins.
Na geração da tecnologia e redes sociais, ainda encontramos crianças que valorizam a boa e velha revistinha, como Alexandre Filho, de nove anos, que lê todos os dias as historinhas da turma mais famosa do Brasil. Dono de vários exemplares, ele tem como personagem preferido o Cebolinha, que considera o mais divertido. O hábito foi um estímulo natural, já que os pais e irmãos mais velhos sempre foram adeptos da leitura. Ele mantém no quarto uma coleção com mais de cinquenta exemplares, todos, é claro, da Turma da Mônica. Estão ali, pertinho, como se quando terminasse uma leitura, aquela história continuasse fazendo companhia.

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Alexandre e sua coleção da Turma da Mônica.

Quando a criança adquire o hábito de ler, ela descobre um mundo de muitas possibilidades, de descobertas, de uma deliciosa imaginação sem limites, algo que só ela pode desenhar em sua mente. É uma experiência que marca, de forma positiva, os primeiros anos de vida. Assim aconteceu com Ananda Garcez, 26 anos, que adorava a companhia das revistas em quadrinhos, principalmente as da Turma da Mônica e as da Turma da Aninha. Mesmo antes de aprender a ler, ela acompanhava atentamente a leitura da mãe, que a ensinava os significados dos balõezinhos. Aos seis anos adorava ir semanalmente a uma banca escolher o exemplar e, sempre antes de dormir, mergulhava nas aventuras dos personagens. Já maiorzinha, por volta dos dez anos, Ananda e algumas colegas criaram uma espécie de biblioteca na escola, alugando, na hora do recreio, cada exemplar pelo equivalente de dez centavos, com recibo e data de entrega; também trocavam entre elas exemplares e informações a respeito. Durante muito tempo guardou com carinho as revistinhas, quase trezentas, como se quisesse manter por perto tantas histórias das quais, de certa forma, ela fez parte. Muitas vezes releu, na adolescência, para relembrar uma fase tão gostosa. Hoje, mãe de um filho de dois anos e meio, Ananda pretende despertar no pequeno Thomaz o interesse pelos quadrinhos.

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Mas esse primeiro contato com as histórias em quadrinhos nem sempre fica como uma doce lembrança da infância; algumas pessoas costumam levar essa paixão para a idade adulta, como Monroe Júnior, de 27 anos, que também aprendeu a ler com a Turma da Mônica. Fã de toda a criação de Maurício de Sousa, que vem se reinventando e mantendo e conquistando públicos, o Relações Públicas também gostava de publicações como a Revista do Sesinho(mascote do Sesi) e os gibis do Planeta Azul, da Fundação Mokiti Okada. A adolescência chegou e ele foi além, como gostava de desenhar acabou criando as próprias histórias em quadrinhos inspiradas nos desenhos animados que assistia na infância. Passou a se interessar pelos quadrinhos da Marvel e DC Comics, e publicações esporádicas do Súper Homem e Homem Aranha, seus heróis favoritos. Na lista também constava o quadrinho em preto e branco Tex. O tempo passou e com ele os exemplares tomaram outros rumos, mas em 1999 a Editora Conrad trouxe para o Brasil os mangás, quadrinhos japoneses que viraram uma febre entre jovens e muitos marmanjos também. A partir daí ele guardou todos os exemplares do apogeu do quadrinho japonês no Brasil, como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e outros. Também se interessou pelas grapcic novels, um meio termo entre livro e quadrinho. “Foi quando as editoras brasileiras passaram a ver o mercado com mais respeito e trouxeram edições lindas, com tratamento artístico, impressas em ótimo material e capa dura, e isso, é claro, chamou minha atenção”, destaca Monroe, que prefere ter as edições em mãos que apreciá-las pela internet. “Os quadrinhos fazem parte da minha vida até hoje, apesar de que agora eles precisam disputar espaço com os livros, estudos, trabalho, filmes e séries de TV, mas sempre que possível, acho um tempo para lê-los”. O jovem se considera um colecionador compulsivo, além de participar de discussões na web, o que considera uma boa experiência, apesar de que não dá para trocar publicações, já que a maior parte dos membros é do sul e sudeste.

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É, as histórias em quadrinhos já possuem quase um século e meio, mas ainda fazem parte do imaginário de muitas pessoas. E você, me conta qual a revista ou personagem dos quadrinhos que te marcou?

Curiosidade: O gênero surgiu nos Estados Unidos. No Brasil, apesar de alguns trabalhos anteriores, a publicação O Tico Tico(século XX), do desenhista Renato de Castro, é considerada a primeira revista em quadrinhos.

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